Juliana Matos
Tem dias em que a gente olha para tudo o que fez e, mesmo tendo passado horas trabalhando, resolvendo coisas, respondendo mensagens, cuidando da casa ou tentando dar conta de alguma pendência, termina o dia com a sensação de que fez pouco.
A lista de tarefas diminuiu, mas parece que nunca o suficiente. E sempre existe alguma coisa que ficou para amanhã.
A produtividade vai ocupando um espaço tão grande na forma como avaliamos nosso próprio dia que, sem perceber, começamos a usar o que fizemos como uma medida de quem somos. Um dia produtivo parece confirmar que estamos indo bem. Um dia mais lento pode trazer culpa, sensação de fracasso e aquela pergunta incômoda: “o que eu fiz hoje, afinal?”
Só que existe uma diferença entre reconhecer que você gostaria de ter feito mais e transformar isso em uma avaliação sobre o seu próprio valor.
Infelizmente, a gente vive em uma cultura que estimula o tempo inteiro a ideia de que é possível fazer mais. Mais rápido, com mais organização, com uma rotina melhor, acordando mais cedo, aproveitando cada intervalo do dia. Até o descanso pode entrar nessa lógica: precisa ser planejado, otimizado e, de preferência, servir para que você volte ainda mais produtivo depois.
Por aqui, eu costumo trocar a pergunta “quanto eu produzi hoje?” por “como eu estive hoje?”. O que estava acontecendo comigo enquanto eu fazia essas coisas? O que eu estava conseguindo sustentar? Do que eu precisei abrir mão? O que realmente era importante e o que entrou na lista só porque eu achei que deveria dar conta?
Experimenta essas perguntas por aí também e me conta se ajudou! Seu valor não aumenta porque você conseguiu cumprir todas as tarefas da lista. E também não diminui porque hoje você precisou fazer menos, descansar mais ou simplesmente não conseguiu funcionar do jeito que gostaria... Amanhã você pode tentar de novo.